A “esmola” de 2010 já está processada

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Os ex-combatentes reformados/aposentados receberam este mês a “esmola” anual em compensação do sacrifício que em nome da Pátria fizeram em terras de África.

O valor da dita é igual ao do ano anterior, também não fazia sentido cortar esta migalha, mas já nada nos admira, principalmente quando verificamos que até o abono de família é retirado a quem tem um rendimento per capita de 630 euros por mês. Das medidas de austeridade anunciadas, esta é porventura a mais chocante, vinda de um governo que tanto apregoa o estado social.

Os casais com este rendimento já têm tanta dificuldade em pagar os seus encargos normais e ninguém pode entender este corte cego que atinge as nossas crianças, que são o futuro do país, um país muito envelhecido que precisa de renovar a sua geração. Eu preferia não receber esta “esmola” que nos dão para evitar o corte de abonos de família, mas só falo por mim, porque também sei que há muitos ex-combatentes pobres que têm direito a receber muito mais pelos sacrifícios que nos foram impostos.

E, porque hão-de os ex-combatentes abdicar desta “esmola” quando sabemos que há tanto desperdício para cortar? Bastava que todos os governantes e outros responsáveis da grande máquina que é o Estado, em vez de andarem montados em carros de luxo, com muitos cavalos, que comem muito, porque a “palha” está cara, se montassem em viaturas menos luxuosas e por consequência mais económicas e haveria muitos milhões para o abono de família e a nossa “esmola”. Lembro-me muito bem que no tempo do Estado Novo, a grande maioria dos carros do Estado eram os VW Carocha, o carro do povo. Pois é, mas quando se fala do Estado Novo é só para o denegrir com a ditadura, os bons exemplos de gestão da coisa pública pouco interessam …

A “esmola” vem na forma de CEP (Complemento Especial de Pensão) e AVP (Acréscimo Vitalício de Pensão), que é regulada pela Lei nº 3/2009.

O meu AVP foi de 107,52 €, ou seja 8,96 €/mês. Este valor é ilíquido, pois  paga IRS. Tenho usado como muitos ex-combatentes o termo “esmola” mas para aqueles que pagaram o tempo da tropa para efeitos de contagem de tempo para a reforma, como é o meu caso, ainda não me deram nada, pois eu paguei em 1988 cerca de 65 contos pela contagem do tempo. Atendendo ao coeficiente de desvalorização da moeda para 2010, que é de 2,55, esses 65 contos, valiam hoje cerca de 165 contos, ou seja 823 €.

Aquilo que paguei dá para mais de 7 prestações anuais do AVP e como ainda só recebi 3 anos, só daqui a mais de 4 anos é que posso dizer que finalmente recebo a dita “esmola”. Até lá estão tão somente a devolver-me o que paguei de adiantado.

Este esclarecimento é para que não haja confusões. Do OE (Orçamento do Estado) ainda não recebi um cêntimo. As boas contas fazem os bons amigos …

Mário Mendes

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