100 anos de República

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5 de Outubro de 1910 – Um golpe de Estado organizado pelo Partido Republicano Português destituiu a Monarquia Constitucional e implantou um regime republicano.

A subjugação do país aos interesses coloniais britânicos, os gastos da família real, o poder da igreja, a instabilidade política e social, o sistema de alternância de dois partidos no poder (os progressistas e os regeneradores), a ditadura de João Franco, a aparente incapacidade de acompanhar a evolução dos tempos e se adaptar à modernidade — tudo contribuiu para um inexorável processo de erosão da monarquia portuguesa do qual os defensores da república, particularmente o Partido Republicano, souberam tirar o melhor proveito. Por contraponto, a república apresentava-se como a única capaz de devolver ao país o prestígio perdido e colocar Portugal na senda do progresso.

Foi com este propósito que se iniciou em Portugal a I República que iria durar até 1926. Caracterizou-se por uma enorme instabilidade devido a divergências internas entre os mesmos republicanos que originaram a revolução do 5 de Outubro de 1910. Durante estes 16 anos houve 7 parlamentos, 8 presidentes da república e 45 governos.

A 28 de Maio de 1926, um pronunciamento militar comandado pelo general Gomes da Costa, pôs termo à I República levando à implantação da auto-denominada ditadura nacional, depois transformada, após a aprovação da Constituição de 1933, em Estado Novo. Neste período emerge a figura de António Oliveira Salazar, que logo em Junho de 1926 toma posse do cargo de ministro das Finanças. Passados  13 dias renuncia ao cargo por não lhe darem as condições que achava indispensáveis ao seu exercício. Em 27 de Abril de 1928, após a eleição do Marechal Carmona como Presidente da República e na sequência do fracasso do seu antecessor em conseguir um avultado empréstimo externo com vista ao equilíbrio das contas públicas, reassumiu a pasta, mas exigindo o controlo sobre as despesas e receitas de todos os ministérios. Satisfeita a exigência, impôs forte austeridade e rigoroso controlo de contas, conseguindo um superavit, um “milagre” nas finanças públicas logo no exercício económico de 1928-29. Em 1932 é nomeado Presidente do Conselho de Ministros, cargo que detém até 1968. Portugal torna-se numa ditadura antiliberal e anticomunista, que se orienta segundo os princípios conservadores autoritários: Deus, Pátria e Família.

Com Salazar doente e incapacitado de dirigir o país, sucede-lhe em 1968 Marcelo Caetano que operou uma certa modernização económica e social e uma liberalização política moderada, criando a expectativa de uma verdadeira reforma do regime em Portugal, especialmente no que se refere à política ultramarina, que não chegou a acontecer. Este período de expectativa foi designado por Primavera Marcelista.

E finalmente chegou o 25 de Abril de 1974, que terminou de vez com o Estado Novo e deu início à III República. Este golpe militar foi designado como revolução dos cravos. Foi criada a Junta de Salvação Nacional, responsável pela nomeação do presidente da república, pelo programa do governo provisório e sua orgânica. O General António de Spínola foi nomeado presidente da república e este por sua vez escolheu Adelino da Palma Carlos para primeiro ministro. Seguiu-se um período de grande agitação social, política e militar conhecido como PREC (Processo Revolucionário em Curso), marcado por manifestações, ocupações, governos provisórios, nacionalizações, e confrontos militares, apenas terminado com uma tentativa de golpe de Estado fracassada a 25 de Novembro de 1975. As primeiras eleições legislativas da nova república aconteceram a 25 de Abril de 1976. No decorrer desta III República aconteceram alguns factos dignos de registo, sendo de realçar a adesão de Portugal à CEE (Comunidade Económica Europeia) em 1986 e a entrada no seio da moeda única europeia(euro) em 2002.

É este, de forma sintética o percurso dos 100 anos da República de Portugal (fonte: wikipédia) e depois de tantos anos de promessas de vida melhor para todos, porque república deriva da frase latina “res publica” que significa literalmente a “coisa do povo” que podem os portugueses esperar do futuro?

O que temos vindo a assistir é que a “res publica” é cada vez menos do povo mas sim de uma elite que não para de enriquecer à custa desse povo. Este povo manso (manso é a tua tia pá …) que se resigna, que quanto mais lhe dão no toutiço mais ele se agacha e assim se conforma com o seu triste fado.

Não tarda muito, aí teremos os suspeitos do costume, os de sempre, prometer que agora é que é, Portugal vai vencer a crise onde nos meteram e vai finalmente ser um país de progresso.

Eu que em Setembro passado votei nas maravilhas de Portugal, não me peçam que vote nas desgraças de Portugal. Isso, nunca mais. É tempo de uma nova revolução de mentalidades que dê início à IV República.

Mário Mendes

Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo,
calai-vos, que pode o povo
qu’rer um mundo novo a sério.

António Aleixo

2 thoughts on “100 anos de República

  1. O nosso companheiro José Rosa Sampaio, acaba de publicar um livro sobre a República. Aqui está a respectiva capa.

  2. Caro

    O vosso companheiro e amigo convidou-me para estar presente no
    lancamento do livro sobre a República, mas não pude ir e tive pena,
    no entanto envie-lhe um e-mail a agradecer, e ao mesmo tempo de-
    sejar-llhe muitas felicitações.-
    Também disse-lhe na altura aonde se podia comprar ou adquirir, os livros
    dele e de outros colegas que escrevem coisas relacionadas com as Forças
    Armadas, mas não recebi nada a esse respeito.-
    Já procurei em várias livrarias como a Bertrand, a Fnac etc. mas nunca
    encontrei nada.-
    Se souber alguma coisa a este respeito informe-me, aqui vai o e-mail
    jmatiotino@hotmai.com, ou por telemóvel 911910857.-

    Um abraço

    Abreu

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