Os putos da Mamarrosa

1 Comentário

Era habitual alguns putos,  filhos dos trabalhadores da fazenda de café fazerem uma visita à messe de sargentos, em busca de sobras das refeições, conforme se vê nesta foto onde estou juntamente com o cozinheiro.

Nesta esplanada passámos noites sem fim a contemplar as estrelas, bebendo cervejas em amenas cavaqueiras, esperando que o calendário avançasse para o tão desejado dia do regresso. Atente-se nas poltronas da esplanada principalmente no modelo “barril”.

Se a vida dos militares aqui era difícil e sempre com o perigo à espreita, não era melhor a dos trabalhadores bailundos que trabalhavam no cultivo do café, contratados ou melhor dizendo arrancados à força dos seus locais de origem, o planalto central angolano, região do Bailundo e por isso a designação de bailundos  ou “monangambas” como lhes chamavam os outros angolanos nativos.

Efectivamente, estes trabalhadores eram forçados a deixar as suas terras, recrutados pelos administradores de posto de que dependiam os seus quimbos de residência para trabalharem durante um ano nas fazendas de café,  onde recebiam um mísero salário (20 escudos angolanos diários).

Geralmente, metade do salário era paga ao trabalhador, a outra metade retida para lhe ser entregue quando terminava o contrato. Segundo o contrato o trabalhador tinha direito a alguns bens, aguardente e cerveja aos sábados, mas todos os outros bens que o trabalhador necessitava, alimentação, cigarros, fósforos, sabão, lâminas de barbear, pilhas para o rádio, etc, eram comprados na cantina e assim o dinheiro recebido na fazenda entrava logo a seguir nos bolsos do patrão através da cantina.

Quando alguns trabalhadores mais gastadores excediam o orçamento e não podiam pagar as dívidas eram obrigados a ficar mais tempo além do contrato para saldar as mesmas. Aqueles que tinham mulheres, acrescentavam mais alguns “angolares” ao orçamento, uma vez que elas exerciam a profissão de lavadeiras e por certo os militares eram muito menos exploradores que os fazendeiros.

Estes trabalhadores do café, com o seu esforço contribuíram para uma riqueza enorme que Angola possuía nas décadas de 50, 60 e 70. A produção actual de café em Angola é muita diminuta e vai sendo incrementada a pouco e pouco. Notícias de Angola, referem que só daqui a 5 anos,  a produção total seja de apenas 1/4 da que foi no auge da época colonial.

Os responsáveis angolanos com certeza que terão consciência que o café é um enorme recurso que o seu país pode explorar, tão importante quanto o petróleo ou os diamantes.

Mário Mendes

One thought on “Os putos da Mamarrosa

  1. no meu tempo não foi assim.
    Aqui mostra a fazenda mais evoluída……no meu tempo praticamente só havia tropa…..
    eu estava no Luvo e de vez em quando lassávamos pela Mamarosa quando íamos a São Salvador para trazer mantimentos e desopilar um pouco para comermos nos restaurantes poucos que por lá havia ….um franguinho……

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