Desertores & Traidores

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A percentagem de jovens que desertaram do país para se livrar da guerra em África foi de cerca de 11% em 1961, número que aumentaria em todos os anos até chegar a cerca de 20% na década de 1970. Os motivos da deserção foram os mais variados, desde a motivação política, a objecção de consciência, motivos económicos, sociais ou outros. O destino principal foi a França, que alcançaram “a salto” e por lá se mantiveram até ao regresso “triunfante” depois do 25 de Abril.

Trago este tema “à baila” porque no site do candidato presidencial Manuel Alegre deparei com um comunicado, que pode ser lido AQUI,  onde afirma que cumpriu o serviço militar. Face a rumores que têm corrido sobre este tema viu-se na necessidade de clarificar a sua situação militar e agora já todos ficamos a saber que aqueles que persistirem nesta dúvida da sua vida militar estão sujeitos a processo judicial.

A grande maioria dos militares que cumpriram o seu dever em terras de África, sabe muito bem que o candidato também foi um dos que lá esteve e por isso não pode ser “desertor”, mas é um facto que este termo é usado frequentemente como sinónimo de “traidor”, e  deste último rótulo, parece que também seria necessária uma clarificação, pelo seu papel que desempenhou na rádio “Voz da Liberdade” em Argel onde esteve refugiado desde 1964.

Ouvir a voz de alguém que fez juramento militar, que cumpriu o seu serviço e por isso não é “desertor” apelando aos jovens portugueses para que não embarquem para a guerra em África ou incentivando aqueles que lá estão a depor as armas, faz lembrar o discurso de S.Tomás: “Faz o que ele diz, não faças o que ele faz.”

Os eleitores têm o  direito de conhecer os candidatos, e em termos de esclarecimentos, o candidato Manuel Alegre, podia esclarecer-nos também  sobre as dúvidas que por aí correm sobre as suas habilitações académicas. Nunca ouvimos qualquer camarada socialista a tratá-lo por (Dr.), certamente saberão melhor que ninguém se ele é ou não possuidor de uma licenciatura, mas por outro lado nas entrevistas que tem dado na televisão vemos por exemplo Judite de Sousa chamar-lhe Dr. Manuel Alegre, tal como o faz o candidato presidencial Dr. Fernando Nobre, título que não rejeita.  Que saia então o comunicado a esclarecer a situação, porque na biografia do site do candidato este item não é referido.

Sobre este tema da deserção, aqui se transcreve um artigo jornalístico:

Opinião
Claro que Alegre não desertou
12-05-2010 Ferreira Fernandes, DN

No seu site, ontem: “Manuel Alegre Melo Duarte cumpriu o serviço militar, nomeadamente em África e em situações de combate.” Alegre, de quem se dizia que foi um desertor, teve de vir dizer que não o foi, esteve em Angola, em situações de combate, foi preso e mandado regressar a Portugal – de onde, na iminência de ser preso pela PIDE, exilou-se, em 1964. Parecerá uma declaração insólita mas as calúnias que há para aí (o para aí são as caixas de comentários que a Internet permite) obrigaram Alegre a fazê-la.

Calúnia batida: ele teria pisado a bandeira portuguesa. Ora Alegre já respondeu a isso e há muito: os seus poemas dos anos 60 são de um homem que amava o seu país. Mas de que vale a palavra contra a insídia? Alegre foi obrigado a vir dizer que não foi um desertor. Eu, que desertei em 1969 e voltaria a fazê-lo se me obrigassem a participar na guerra colonial do lado que não era o meu, sei que ele não foi um desertor (e, já agora, eu também não, mas isso não interessa). Ele não desertou porque teve opinião, por a ter foi preso e teve de se exilar – e não me apetece ter de explicar que ir para o exílio não era o caminho mais fácil. Desertores, nos anos 60, foram os que calaram. Eu, como não sou candidato a nada, estou-me borrifando para as caixas de comentários.

“Desertores, nos anos 60, foram os que calaram.” Meditem bem nesta frase deste “iluminado”. Afinal, quando a partir de Março de 1961, as catanas começaram a esquartejar os portugueses em Angola, aqueles que ali acorreram para os salvar da morte como a grande maioria o fez, são agora os “desertores”. Tentar dizer que a ida dos milhares de soldados que fizeram a  guerra em África significou um apoio expresso ao regime  vigente, merece o repúdio daqueles que cumpriram o seu dever.  Desertores, foram aqueles que à pala da pura cobardia fugiram ao seu dever de cidadania e solidariedade para os nossos concidadãos que cobardemente estavam a ser assassinados em África e regressaram anos mais tarde da clandestinidade  feitos “heróis”, arautos da liberdade, mas que efectivamente não passam de falsos moralistas.

Mário Mendes


14 thoughts on “Desertores & Traidores

  1. Apenas pretendo esclarecer o autor, acerca das habilitações literárias
    deste sr. Alegre: De facto, é sabido que ele não tem nenhum curso superior, logo não tendo direito ao uso (ainda nosso…) de chamar “toda a gente” de dr.. Informo-o de que, se tiver dúvidas do que afirmo, pode, sempre, consultar a composição do Conselho de Estado, de que este sr,. faz parte, e onde só dois membros não têm o “Dr”, antes do nome: O próprio e, o Presidente do Governo Regional dos Açores.
    Sobre a questão militar, não me pronuncio, uma vez que prestei o meu serviço militar na década de 60, no Ministério do Exército, onde tinha acesso a informação confidencial, não me expressando sobre factos. Apenas direi:
    Nunca votaria neste sr.. Se fosse o único, ficaria em casa!

  2. Este jornalista diz que desertou por não querer combater do lado que não era o dele. Mas então porque não foi para o outro lado. Ele até nasceu em Luanda, bem podia ter ido ajudar os seus amigos, mas estava-se melhor em Paris, é só basófias …

  3. Adenda ao meu comentário anterior;
    Ao Sr. Mendes: Por mera curiosidade, pergunto-lhe: como está tão seguro do que expressa? Qual o parentesco, ou, em alternativa,o conhecimento que tem do individuo em questão? ou, e é o que mais se afigura: Será esta sua prosa, apenas um ode à solidariedade?…
    C’est fait…

  4. ERRATA: Por lapso, no comentário anterior, referi o nome do SR. Mendes, quando, afinal queria dedicá-lo ao sr. Ferreira Fernandes; As minhas desculpas pelo lapso, inadvertido!

  5. O sr.Manuel Alegre foi traidor de Portugal pois foi visto a rasgar a bandeira portuguesa, claro que ele é abrileiro,não quero ofender ninguém, eu vi a prova e ponto final, eu nunca votaria nesse senhor.

  6. Pode alguém ter a mesma legitimidade que eu, para falar sobre o assunto. Mais, não tem. Voluntário para o exército, voluntário para Angola, novamente voluntário quando passei à disponibilidade. Amo a minha Pátria. A de Afonso Henriques, de Geraldo, de Mendes da Maia, de Allbuquerque, de Diogo Cão, de Afonso V. Na minha secretária, tive a partir de 27/04/74 uma foto de Salazar. Durante 30 anos lá esteve. Esse e outros traidores deviam acabar encostados a uma parede. Gostava de ser eu a comandar o pelotão de execução.

  7. De fato, é fácil difundir calunias, quando, logo depois, se refugiam em informação. Agro pergunto eu, essa informação a que teve acesso não era da PIDE, pois não?

    • Snr Luis

      Se quer ficar esclarecido sobre este senhor leia toda a sua historia e fale com Militares de então. Ficará pasmado e perguntará a si mesmo. Será possível este homem candidatar-se a Presidente da República?

  8. MEU DEUS DO CÉU COMO SE PERDE TEMPO FALAR DO MAIOR TRAIDOR DE PORTUGAL MAS NÃO FOI SÓ ELE TEM MUITOS E MUITOS E OS GENERAIS PROVETAS QUE DORMIAM CAPITÃES E ACORDAVAM GENERAIS QUE COISA LINDA,AI SÓ FAZIAM BESTEIRAS O MEU GRANDE AMIGO OTELO SÓ PRENDENDO GENTE OUTRO SR. QUE ERA GOVERNADOR MILITAR DE LISBOA E SÓ FEZ ASNEIRAS E O MOÇAMBICANO QUE A O [SR.OTELO]PRENDENDO TODAS AS PESSOAS MAS ERA SÓ PARA TIRAR O EMPREGO DELES GRANDES COBARDES ATÉ O ARTUR AGOSTINHO PRENDERAM PARA TIRAR OS EMPREGOS DELE HOMEM COMPETENTE EU TINHA 7 ANOS JÁ OUVIA A VOZ DELE FOI ELE QUE ENSINOU AS PESSOAS A PEGAR O METRO OLHA ISSO TEM ANOS.AGORA ESSE SENHOR NEM DEVERIA POR LEI SER DEPUTADO NEM COISA ALGUMA ELE DEVERIA IR LÁ PARA MATADI QUE A CONGO OU ARGEL OU FRANÇA PARA ESTAR PERTO DOS AMIGOS DELE [TRAIDOR DO POVO PORTUGUÊS] UM ABRAÇO A TODOS QUE ESCREVEM NESTA PAGINA SEJAM A FAVOR OU CONTRA A MINHA OPINIÃO E SAÚDE A TODOS.

  9. Por mera curiosidade, e que pode ser apenas coincidência, reporto aqui dois factos, ambos passados no dia 2 de Maio de 1974:
    Regresso do sr. Alegre (não Dr.) a Portugal depois da sua esdtadia em Argel;
    Publicação do Dec.-Lei 180/74

    • se esse senhor serviu o serviço militar isso eu não sei mas que foi traidor isso foi e dirigia a tal rádio liberdade e só falava mentiras ele algumas vezes transmitia da cidade de matadi lá perto de nóqui e falava besteira e muitas vezes ele falava que as forças coloniais sofreram uma emboscada a onde ele dizia que morreram muitos soldados portugueses eu que estava em m´pala perto de tudo aquilo que ele falava e eu já nessa época esse gajo a muito mentiroso estive 19 meses em m´pala demos sim muito prejuízo ao in. isso nós demos isso nessas datas de 23 de maio de 1965 a 3 ou 4 ou 5 de dezembro de 1966. não tivemos um ataque eles corriam da gente agora que o in. passava por ali todo o santo dia isso era verdade a gente via as pegadas deles e abraços a todos.

  10. ó senhor Mário Mendes o senhor também quer tirar proveito do povo português,escolha outro senhor porque o sr.Manuel alegre nem direito ele deveria ter de ser deputado?

  11. esta gentinha não é só desertor, também é traidor á Patria
    é uma treta dizer que FUJIRAM porque não concordavam com a politica
    mas se disserem a verdade verão que o que eles tinham era medo de morrer, a isto também se chama cobardia.
    Eu estive lá 4 anos, porque não era politico disseram -e que tinha que defender a Pátria e eu fui como muitos outros que não eram covardes.
    Esse senhor Alegre , escutei dezenas de vezes na tal rádio Liberdade
    á noite quando estava de serviço nas transmissões, bem no interior de Angola em zona de guerra, mais propriamente em Quicabo, incentivar nos para desertarmos levar as armas conosco e irmos ter a determinado local onde estariam á nossa espera para nos levarem até ao Congo onde iria mos ser muito bem tratados, Estes sim é que eram Heróis, nós não, porque estávamos defendendo a Pátria expostos ao perigo, ao frio, á sede,e até á fome, já para não falar nos que deram a vida para que estes senhores heróis estejam agora cheios de mordomias e boa vida
    e o que atrás diz o José Guilherme é verdade porque era isso mesmo que ele dizia. Em suma
    Desertores e covardes, mas valeu a pena, agora são deputados
    e é só mamar

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