Mais um 25 de Abril

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E já vão 36. Nesse dia de 1974, quando estava a sair de casa para o trabalho, ouvi na rádio da casa de um vizinho o Hino Nacional, estranhei que aquela hora se ouvisse a Portuguesa, mas lá segui para o meu labor diário.

Ali chegado, já todos comentavam os acontecimentos daquela madrugada e rejubilei de contentamento porque uma nova era iria começar no nosso país. Recém regressado da guerra em África onde tantos jovens hipotecaram dois anos da sua vida, abria-se agora um futuro mais risonho de solidariedade, igualdade e fraternidade como apregoava a canção do Zeca Afonso “Grândola, Vila Morena”.

Um dos principais objectivos do 25 de Abril foi o de terminar com a guerra no Ultramar que militarmente não tinha fim à vista e era contra natura que Portugal se desse ao luxo de possuir territórios em África quando há muito tempo todas as potências europeias já tinham resolvido esse problema.

A descolonização que se seguiu foi no entanto de tal modo apressada e mal organizada que os portugueses que estavam em África depressa se aperceberam que o seu estatuto de “brancos” os tornava “persona non grata” e por conseguinte tiveram que fugir para Portugal deixando tudo para trás e regressando ao seu país onde lhes foi colocado o rótulo de “retornados”, tendo sido criado um instituto de nome IARN (Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais), destinado a  dar-lhes apoio na sua integração na sociedade portuguesa, integração que foi sendo feita paulatinamente. Sabemos quem foram os responsáveis da desmanda que foi esta descolonização, mas não posso deixar de referir o principal deles, Rosa Coutinho, papel bem patente nesta carta dirigida ao presidente do MPLA, que pode ser lida AQUI.

Terminada a guerra sabíamos que a grande tarefa era a construção de um Portugal democrático, desenvolvido como os seus pares europeus, mas à medida que os anos vão passando esse desiderato é cada vez mais um sonho…

Nas primeiras comemorações do 25 de Abril e 1 de Maio não faltavam os slogans “25 de Abril, SEMPRE” mas  Deus nos livre que este “status quo” seja para manter para sempre. Os valores que se apregoavam, da solidariedade, liberdade, igualdade de oportunidades, justiça social, são hoje palavras vãs.

É certo que temos liberdade de expressão como não tínhamos antes, a censura institucionalizada foi banida, não temos Pide a cada esquina escrutinando cada movimento, mas também é certo que quem se arriscar a desafiar os vários poderes, terá certamente alguém a querer “fazer-lhe a folha”.

As desigualdades são cada vez mais gritantes, a corrupção cresce assustadoramente a tal ponto de não haver negócio público que não traga associado algum esquema menos transparente, e ninguém pode atirar pedras porque todos têm telhados de vidro.

Fala-se muito dos prémios e bónus que os gestores públicos auferem, que são um verdadeiro escândalo mas alguém ousa pôr-lhes termo? Não, porque os políticos de hoje serão os futuros gestores públicos!

Ouvir dizer ao presidente da EDP, todo empertigado, que em Portugal se penaliza o sucesso, que recebeu 3,1 milhões de euros porque superou os objectivos, mas eu digo que é um atentado contra a honestidade de quem trabalha. E os trabalhadores da empresa que o ajudaram a conseguir os objectivos, que receberam em troca? Uma empresa que tem monopólio, que vende aos portugueses aquilo que eles têm que comprar porque não há alternativas, não pode ufanar-se de tamanho sucesso, seja ele o “Mexia” ou outro qualquer a “mexer” naquele negócio.

Não foi este o 25 de Abril que naquela manhã de 1974 encheu de esperança todo o povo português. Volta a estar na moda a cantiga do Zeca Afonso, “Eles comem tudo e não deixam nada”. Até quando?

Há sempre alguém que se revolta, há sempre alguém que diz NÃO. Vejam o vídeo seguinte, pode ser que em Portugal alguém que os “tenha no sítio” seja capaz de fazer o mesmo.

Mário Mendes

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