O buraco da fechadura

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Os militares fizeram o 25 de Abril para acabar com o obscurantismo em Portugal e trazer ao povo a liberdade de expressão que tanto esperava, mas com o passar dos anos ficamos cada vez mais surpreendidos com aquilo que está a acontecer no nosso país.

Diversos casos mediáticos têm atravessado a sociedade portuguesa, como foram o Fundo Social Europeu, Aeroporto de Macau, Casa Pia, Portucale, Submarinos, etc, mas na legislatura que decorre e na precedente os casos têm crescido como cogumelos (Independente, Charrua, Cova da Beira, Freeport, Face Oculta, TVI, Mário Crespo, etc…), e como parece que ninguém fica bem na fotografia, podemos socorrer-nos de dois velhos slogans para apreciar a situação que se vive em Portugal: “Governo e Oposição, a mesma cambada são”, e “Quando o mar bate na rocha, quem se lixa é o mexilhão”.

É em nome do “mexilhão” que me permito dar umas ferroadas nos poderes políticos, sejam eles quais forem, penso que não serei incomodado por opinar, mas nunca fiando, e se tal vier a acontecer, terei sempre a possibilidade de dizer perante a justiça de que aquilo de que sou acusado não terá qualquer validade, porque só foi presenciado pelo buraco da fechadura!

Assim, mesmo com factos confirmados, não desmentidos pelos próprios, a sua validade é nula, porque a justiça que temos não os valida nem por escutas, ou porque observados pelos ditos buracos, e quando não servem estes argumentos, existe sempre a possibilidade de recursos intermináveis que levam à prescrição dos factos, ou de recurso em recurso até encontrar um juiz que desdiga o seu inferior hierárquico, no caso do arguido não ser um qualquer “pilha galinhas”.

A separação de poderes que advoga a Constituição, está a tornar-se uma “conversa da treta” e o PR que é o seu garante parece também aos nossos olhos, impávido e sereno.

Aquilo que desejo, como cidadão, é que os nossos representantes políticos não se cansem de usar toda a transparência nos seus actos e nunca ousem tapar por dentro o buraco da fechadura, e ao poder judicial que seja realmente “cego”, e nem sequer espreite por esse buraco.

Mário Mendes

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