Golpe de mão do MPLA

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Golpe de mão é uma operação ofensiva realizada de surpresa contra uma força inimiga  e algumas destas acções foram desencadeadas pelo MPLA contra as tropas portuguesas em Angola, táctica que tem sido prosseguida, mesmo depois de terminada a guerra, agora contra outros inimigos.

No acordo de Alvor, onde se sentou na mesma mesa, em pé de igualdade com os outros movimentos, FNLA e UNITA para a partilha do poder, que aconteceu em 15 de Janeiro de 1975, tudo parecia muito democrático, mas depois o MPLA que fez de Luanda o seu feudo logo tratou de afastar os outros representantes do povo angolano, primeiro com a ajuda do Presidente da Junta Governativa de Angola, Rosa Coutinho, assumido simpatizante do PCP, amigo de Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos (JES), com escola feita na ex-URSS, sendo este país também o primeiro a disponibilizar meios e homens, a par dos cubanos, para combater os seus rivais internos.

Com a morte de Agostinho Neto em 1979, JES passa a ocupar a presidência do MPLA e do país. A primeira eleição presidencial ocorreu em 1992, onde JES não obteve 50% dos votos e por isso teria de disputar uma segunda volta com o candidato da UNITA, Jonas Malheiro Savimbi, eleição que nunca chegou a ser realizada pelos motivos que se conhecem.

A morte de Savimbi já aconteceu há 8 anos e mesmo assim JES tem tido medo de convocar eleições, levando já 30 anos à frente dos destinos de Angola, sem qualquer plebiscito popular.

Para que o seu presidente não se submeta à maçada de um sufrágio directo e universal, o MPLA acaba de aprovar uma Constituição da República, valendo-se da enorme maioria que detém e aproveitando a realização da CAN, em que o povo está entretido com o futebol, que consagra que o presidente sairá das eleições legislativas, sendo que será nomeado aquele que for o cabeça de lista do partido, ou seja JES, que além disso, acumulará também as funções de Chefe do Executivo e de Comandante-em-Chefe das Forças Armadas.

Com as próximas eleições legislativas previstas para 2012, nessa data JES  iniciará o seu primeiro mandado de presidente, que segundo a nova constituição terá um limite de dois mandatos de cinco anos cada, e assim,  JES estará no poder até 2022, perfazendo o total de 42 anos de governação. Talvez dê para entrar no livro do Guiness, ultrapassando largamente Salazar que esteve na cadeira do poder entre 1932 e 1968, durante 36 longos anos.

Há algum tempo atrás assistimos a fenómeno parecido, quando na Venezuela Hugo Chávez (HC), impedido pela constituição de exercer outro mandato de presidente, faz um referendo para alterar o artigo dessa proibição, perde, mas volta à carga com um segundo referendo, que vence, após chantagens e ameaças, e é agora o senhor absoluto de Caracas.

No ano passado, em plena crise energética, com o barril de crude a 150 dólares, vimos na televisão um HC no seu estilo trauliteiro, apregoar que quando o petróleo se acabar no mundo, a Venezuela ainda o terá por mais 100 anos. É o mesmo HC que agora com o barril a metade do preço, humildemente pede os seus compatriotas que poupem electricidade e água, dando o seu próprio exemplo de que toma banho em 3 minutos e não fica a cheirar mal. Afinal a riqueza do petróleo como todas é efémera, e ao que assistimos na actualidade naquele país, são manifestações do povo revoltado com as suas condições de vida, com uma inflação galopante, a moeda desvalorizada, meios de comunicação que dão voz a esse povo, fechados, bancos nacionalizados, tudo para satisfazer a ganância de poder de um só homem.

A verdadeira riqueza de uma nação, é a democracia plena, a liberdade do seu povo, porque as riquezas materiais onde não impera uma verdadeira democracia, servem apenas para que alguns  ditem as suas leis e subjuguem a maioria, o que é uma verdadeira tragédia.

E Angola, que rumo está a seguir? No areópago internacional, Angola pode até ser descrita como uma potência emergente, mas os angolanos não devem ter ilusões, os benefícios da exploração do petróleo extraído em Cabinda ou no Zaire, bem como dos diamantes das Lundas, servirão apenas para satisfazer a gula e outros prazeres extravagantes de uma elite limitada e poderosa, não servirão para proporcionar melhores condições de vida à grande maioria de milhões de angolanos pobres, que assim continuarão.

Esta constituição de Angola que pode ser lida aqui:  Constituição de Angola, é o golpe de mão que representa a  estocada final na pseudo democracia angolana, melhor dizendo democracia à moda africana, para ser politicamente correcto.

Mário Mendes

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