Minas e Armadilhas

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Minas e Armadilhas

Estes engenhos explosivos eram as armas mais temidas que os militares portugueses enfrentaram na guerra colonial. Utilizadas pelo inimigo de forma isolada nas picadas, ou conjugadas com emboscadas limitaram fortemente a mobilidade das nossas forças tanto em acções tácticas como logísticas.

Provocaram destruições de viaturas e causaram uma elevada percentagem de baixas, talvez 50% (mortos e feridos).

mina_apAs mais utilizadas pelos movimentos de libertação eram as minas anti-pessoal (A/P) geralmente colocadas a menos de 4 cm abaixo do solo, ou na superfície e camufladas, são geralmente activadas pela pressão de poucos (3-4) quilos. Ou seja, activadas pelo simples passo de qualquer pessoa ou animal. Curiosamente, elas não ferem tanto pelo material que as compõe mas pelo simples efeito do sopro, ou onda de choque,   funcionando como um vento supersónico, que estilhaça tudo na sua proximidade. Estas minas causam sobretudo amputações do pé e das pernas e feridas nas partes genitais mas geralmente ferem uma só pessoa. As cargas explosivas destas são variáveis podendo ir de 100 gramas a 400 gramas, como a famosa “viúva negra”.

TM-46_mina_anticarroA mina anti-carro (A/C) tem uma carga explosiva de vários quilos e a sua explosão está prevista à pressão de aproximadamente 600 kg. Foram também utilizadas combinações de minas anti-pessoais e anti-carro com outros tipos de explosivos e materiais destinados a provocar estilhaços. Geralmente o inimigo colocava várias minas anti-pessoal na berma da picada perto de uma mina anti-carro, porque quando do rebentamento desta o pessoal só se preocupava em dar assistência aos feridos e muitas vezes nesse momento aconteciam outras tragédias …

A foto que se segue mostra bem o efeito duma mina nesta viatura pesada Berliet da C.Caç. 3413 na picada entre o rio Lucossa e a Mamarrosa, provocando 4 feridos no dia 2 de Fevereiro de 1973. Felizmente que nenhuma das 3 minas anti-pessoal iguais à da primeira foto colocadas no local foi accionada, tendo sido levantadas por um especialista em minas e armadilhas da nossa companhia.

mina_berliet

Também as nossas tropas utilizaram minas, predominantemente minas anti-pessoal de fragmentação, colocadas acima do nível do solo, sobre piquetes por vezes, atadas a árvores ou arbustos e camufladas. Elas são habitualmente ligadas a fios armadilhados, colocados rasteiros ao chão e que são activadas por uma simples tracção de um quilo. Qualquer pessoa que caminhe e que tropece no fio está condenada. Pior ainda, estas minas pela sua dispersão maior costumam ferir um maior número de pessoas à volta da explosão e provocam ferimentos mais diversos e mais graves. Com efeito, ferem muito mais no tórax onde se situam a maior parte dos órgãos vitais do corpo humano. Eram utilizadas junto do arame farpado à volta dos aquartelamentos e também para proteger sítios estratégicos como sendo captações de águas fora dos aquartelamentos. No Luvo,  a captação de água para abastecimento que ficava a cerca de 1 km, estava protegida por um esquema destes.

Mário Mendes


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