A Pedra Verde

2 comentários

A Pedra Verde

pverdeConquistada Nambuangongo pelas forças armadas portuguesas, os guerrilheiros da UPA encontram refúgio numa cordilheira de morros escarpados com cerca de 700 metros de altitude, uma zona de muito difícil acesso, situada poucos Km a Nordeste de Úcua e na entrada dos Dembos, onde predomina um morro com grutas naturais e túneis escavados pelo homem denominado Camucugonlo mas conhecido por “pedra verde”.

Esta região acidentada e coberta por floresta densa, domina o itinerário mais directo de Luanda para Carmona (Uíge) e é conhecido por “estrada do café”, pois serve ao longo dos Dembos inúmeras fazendas e povoações ligadas aquela cultura.

Considerado um baluarte do inimigo onde teriam afluído elementos fugidos de Nambuangongo, a “Pedra Verde” constituía uma ameaça pela sua proximidade em relação a Luanda e também pelas frequentes emboscadas realizadas pelos guerrilheiros às nossas tropas e pelos assaltos que levavam a cabo nas fazendas da região.

A 10 de Setembro de 1961 iniciou-se uma operação de grande envergadura e mesmo com apoio da artilharia e meios aéreos, as tropas tiveram de vencer imensas dificuldades num terreno sem picadas e muito difícil e só a 16 de Setembro foi conquistada a “Pedra Verde”, último refúgio da UPA.

Esta região foi sempre das mais problemáticas da guerra em Angola, onde houve muitas baixas da nossa parte, qualquer militar mobilizado para aquela zona já sabia do perigo que o esperava, mas para amenizar a situação, os mais velhos costumavam brincar com os maçaricos: Que sorte a tua, vais ver a Gina Lolobrigida!

QUESSO

Nesta foto podemos apreciar os seios da bela italiana, vendo-se ao fundo a “Pedra Verde”.

Mário Mendes

2 thoughts on “A Pedra Verde

  1. Pingback: Operação “Pedra Verde” «

  2. Combati no Niassa e na Serra do Mapé;
    morri em Gadamael e nas Bolanhas da Guiné.
    Estive em Nambuangongo,
    na Pedra Verde,
    nas matas de Angola…
    Pus fogo em casas e aldeias
    onde vivia gente pobre e esfarrapada.
    Matei!
    Queimou-me a pele
    a inclemência do sol africano.
    Fui ferido e fiquei longos meses enfermo.
    Verti as minhas lágrimas
    por companheiros caídos.
    Perdi as pernas
    arrancadas pela explosão
    de uma mina traiçoeira.
    Cegaram-me fragmentos de ferro em brasa
    numa emboscada.
    Fiquei estropiado!
    Sem sexo!
    Maldita guerra!
    Quando, por fim, voltei
    vivo e intacto, à terra Lusa
    que me viu nascer
    fui festejado e abraçado,
    amei e fui amado,
    mas não posso esquecer!
    A minha história da guerra
    é a história
    de um humilde soldado
    sem glória,
    nem fama
    escrita com lágrimas e sangue
    no papel amarelado
    deste amargo aerograma

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s