Os pescadores do Luvo

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Os pescadores do Luvo

A alimentação da tropa na guerra colonial em Angola era predominantemente composta por carne. O peixe era raro, talvez devido a problemas de conservação, ou porque como é sabido “peixe não puxa carroça”.

Durante o tempo que estivemos no aquartelamento do Luvo, eu e o furriel Morais tivemos a ideia de comprar uma cana de pesca cada um, na drogaria Salvador Beltrão, em S.Salvador do Congo, porque já tínhamos observado que no rio Luvo, a 300 metros do aquartelamento havia peixe abundante, e seria bom variar a ementa. O rio Luvo nasce no norte de Angola, faz fronteira com a República Democrática do Congo durante vários quilómetros para depois penetrar no interior daquele país e desaguar no rio Congo.

Depois de várias tentativas, o resultado da pesca à cana não teve grande sucesso na quantidade que desejávamos, ainda assim além do desporto praticado sempre caía algum exemplar, conforme fotos.

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Um dia lembrei-me que havia outra maneira de “pescar” peixe suficiente para toda a guarnição e dirigi-me ao paiol onde descobri algumas granadas de mão ofensivas, já fora de validade. Dito e feito, vejam nestas fotos o resultado da pescaria.

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Na verdade, o peixe não tinha a qualidade daquele a que estávamos habituados a comer na Metrópole (barbo, boga, achigã, etc.), porque as águas do rio eram bem mais quentes e por isso o peixe era mole, mas deu para “desenjoar”.

Mário Mendes

One thought on “Os pescadores do Luvo

  1. Também eu me recordo que durante uma das minhas várias passagens pelo destacamento do Luvo, participei numa dessas pescarias à granada, e dos açorianos quase terem perdido a cabeça quando viram tantos peixes.
    De facto, os ilhéus eram mais apreciadores de peixe do que de carne, e recordo-me que uma vez a SATAL (o avião civil dos frescos) trouxe sardinhas frescas que mal deram para o pessoal todo, tendo sido repartidas à razão de uma e meia por pessoa, o que quase originou um motim. O Carvalho condutor dizia que em S. Miguel comia só de uma vez “mê cento”.
    Um abraço do José Sampaio

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