Luanda, de ontem e de hoje

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A bela cidade de Luanda que conhecemos em 1971/72/73, está hoje completamente transformada. Basta olhar para esta imagem de satélite, onde podemos ver o Grafanil, distante cerca de 7 km do centro de Luanda, e que agora está rodeado por musseques.

grafanil1

A cidade passou de 400 mil habitantes para 4 milhões, ¼ da população total de Angola, que também passou de 6 para 16 milhões.

O trânsito é caótico, uma viagem de Viana para Luanda, com cerca de 20 Km pode demorar mais de 2 horas. Esta foto mostra a Avenida dos Combatentes.

Luanda_ac

E que dizer da bela ilha de Luanda?  Esta imagem vale mais que mil palavras!

ilha_luanda

Talvez, por tudo isto, o presidente angolano queira fazer uma nova Luanda, conforme noticiava em  2007 o Diário de Notícias:

Norte de Luanda espera pela nova capital angolana

Opção preferida fica entre Cacuaco e a Barra do Dande

As autoridades angolanas estão apostadas na construção de uma nova capital para o país. Para já, o projecto não passa disso mesmo, mas Oscar Niemeyer, o arquitecto brasileiro que projectou os edifícios mais emblemáticos de Brasília, já confirmou ter sido sondado pelo Presidente José Eduardo dos Santos para esse efeito.

Numa entrevista ao jornal britânico The Guardian, Niemeyer, que em Dezembro fará 100 anos, explica, entusiasmado, que já só está espera que Angola lhe diga o que pretende para passar à acção. “O Presidente angolano convidou-me para projectar a nova capital do seu país, que deverá ser quatro vezes maior que Brasília.”

Já a sua mulher, Vera Niemeyer, mostra-se mais prudente, como as suas declarações à Lusa evidenciaram na terça-feira. “Ele foi sondado há cerca de um mês. Em princípio, está interessado, mas aguardamos que esse convite seja oficializado.”

Só que em Luanda ninguém parece estar muito à vontade para falar deste projecto. Pelo menos, a título oficial, tendo em conta que a sondagem a Niemeyer foi feita pelo próprio José Eduardo dos Santos, razão pelo qual o DN foi remetido dos assessores do Presidente para o Governo provincial de Luanda ou para o Gabinete de Reconstrução Nacional, dirigido pelo general Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, que chefia também a Casa Militar presidencial. Sendo certo que este projecto que, segundo Niemeyer, envolve a construção de uma cidade para dois milhões de pessoas, pode levar muitos anos a concretizar. “Se o paralelo fosse Brasília, seriam 16 anos.”

À margem dos contactos oficiais, o DN apurou, no entanto, que o projecto da nova capital angolana está planeado para o norte de Luanda, numa região que vai do município de Cacuaco à Barra do Dande (ver mapa).

“É a melhor opção”, confirmou ao DN uma fonte do Governo angolano, aludindo às condições climatéricas e geográficas que favorecem essa localização. Em detrimento da zona Sul, para onde Luanda tem vindo a expandir-se nos últimos anos, através da construção de vários condomínios.

Ao ponto de muitos angolanos, e não só, aludirem já à Luanda II que estaria a ser edificada nas imediações do Futungo, onde José Eduardo dos Santos vivia até há dois anos, altura em que se mudou para o palácio do antigo governador-geral colonial.

“Ao contrário da região Norte, onde até nem há muitas pessoas a viver, a zona a sul de Luanda é mais inóspita e árida, duas limitações que só se alteram depois da Barra do Kwanza.”

Talvez, por isso, o Conselho de Ministro de Angola tenha decidido, entretanto, atribuir a designação de “reserva do Estado” a três blocos de terrenos situados a Norte de Luanda e que, em conjunto, totalizam 187 quilómetros quadrados, como o Semanário Angolense revelou no final de Maio.

Mas nem todos os terrenos abrangidos se destinam à futura capital. Dois dos três blocos envolvem outros projectos no município de Cacuaco.

De reserva para a futura capital estão apenas 77 quilómetros quadrados – Lisboa, por exemplo, ocupa uma área de 84,8 quilómetros quadrados – na região do Dande, admitindo-se que a nova cidade pudesse vir a incluir igualmente a construção de um novo porto que possa substituir ou ampliar as infra-estruturas já existentes em Luanda, e que estão a ser objecto de requalificação.

Mas, como explicou outra fonte angolana ao DN, o planeamento da nova capital de Angola ainda não chegou à fase de projecto. Mesmo que José Eduardo dos Santos já tenha sondado Oscar Niemeyer, rejeitando, ao que tudo indica, um outro projecto que lhe tinha sido anteriormente apresentado por Troufa Real: o da construção de Angólia.

É assim, a bela cidade que no tempo do colonialismo, rivalizava com a capital de Portugal, está hoje num estado tal que é difícil reverter a situação.

É certo que estão em curso grandes projectos de investimento em Angola, financiados pela enorme riqueza dos seus recursos naturais (petróleo e diamantes), mas também é um facto que em alguns índices sócio-económicos, este país está na cauda do mundo. A esperança média de vida é de apenas 42,7 anos, também devido ao facto de a mortalidade infantil ser muito alta, de 132 por cada 1000 nascimentos. A alfabetização cifra-se em 67,4%.

Depois de 13 anos de guerra colonial, e mais 28 de guerra civil que terminou em 2002, o que o povo angolano espera  e deseja, é que agora as suas condições de vida sejam substancialmente melhoradas.


Mário Mendes


12 thoughts on “Luanda, de ontem e de hoje

  1. sim pode até ser verdadeiro a vida dos angolanos melhorar mas vai demorar uns 100 anos porque politico a todo igual eles primeiro querem ver o bolso deles e dele e deles e só eles por ultimo o povo coisa revoltante mas é verdade poxa angola a rica mas tem um povo pobre demais e vai demorar para o povo angolano ter uma vida legal abraços e fui

  2. 77 km2 terei eu visto bem ???????????????????????????

  3. Também estive em Angola,entre 71 e 73,na C.ª de Engª 3478,em Toto,Quimaria,Cecilia,Zala,etc,portanto Uíje,Vale do Loge Mabridg,Luaia,são me familiares,para além de Luanda,e um pouco de toda a Angola,por onde passei.A todos quantos deram o seu contributo por aquela terra,o meu saudoso abraço.
    Artur Lopes Rodrigues

  4. Angola é potencialmente,um dos paises mais ricos de Africa e até do Mundo.
    Queiram os angolanos e os seus Governantes e Lideres,seguir o caminho da paz,da justiça e da concordia,terão certamente,muito onde aplicar as suas energias e os seus conhecimentos,sem descurarem claro está,o seu passado,como Povo e como País.Portugal teve o seu papel,tal como o fez,por onde andou e esteve.Não é qualquer país,tão pequeno como o nosso Portugal,que tendo cerca de três milhões de pessoas,no seculo Xlll/XlV,e fez o que fez.Cometeu erros é certo,mas deu mostras,do que é possível fazer-se,com tantas e tantas limitações.Angola tem um potencial de crescimento e desenvolvimento.enormes,mas não se podem esquecer as pessoas,os seus habitantes,de qualquer proveniencia credo, raça, etnia etc. Portugal tem tb a sua cota parte de responsabilidade e deve dar tb o seu contributo,como o fez ao longo de séculos.Toda a costa Angolana é duma beleza soberba,tal como o interior.
    Luanda é duma beleza impar.Tem espaço para crescer,a Norte/Sul e Nascente,e uma ponta de terra “ILHA”,e uma Baia,dignas de “Quadro/Pintura”,que devem ser requalificados com competência,com profissionalismo,mas com amor,porque é um pedaço que a todos diz respeito.Quer se avance para a barra do kuanza,quer de avance para a barra do Dande,quer para o interior,pode fazer-se uma Luanda,digna do nome São Paulo de Luanda.

  5. Tive o privilégio de conhecer Luanda á bem pouco tempo aliás foi o primeiro país que visitei nesta minha vida, e de facto o tempo que lá estive foi maravilhoso, Luanda apesar da seus quês, é linda as suas praias maravilhosas, todo o seu verde existente pintado com várias cores das suas flores parece um quadro, o seu povo é muito humilde, e apesar de muitos deles se depararem com fracos recursos, na sua boa disposição não baixam a cabeça, seguem em frente, quando regressei a Portugal, ao levantar voo e olhar para baixo bateu uma saudade, como de quem não quer partir, o seu azul do céu, o seu sol apesar de forte, os seus prédios envelhecidos tudo isso deixa saudade espero voltar um dia, Quem sabe.

    • Não sei o que a levou a Africa, a Angola, a Luanda, mas é de fato a sensação que deixa, a quem visita aquela terra. Luanda é apenas uma pequena parcela, daquele imenso território que é Angola, num todo. De Cabinda ao Cunene, do Zaire ao Kuando Kubango e do Namibe ao Moxico,ou do Bengo ao Uíge, Angola tem lugares paradisíacos e gentes de uma riqueza extraordinária. É altura dos seus Governantes gerirem os enormes recursos em favor de todos, independentemente da cor, raça e credo.

  6. Queridos participantes, os meus cumprimentos. Deste grande, belo e rico país, vocês já falaram tudo e, ao ler as vossas opiniões, lacrimejei ao recordar o que me escorre no íntimo como solução para a satisfação completa do POVO ANGOLANO, dos que mesmo não sendo angolanos, amam esta terra e, dos que, fascinados ficam ao contactarem pela primeira vez o solo angolano. A resolução dos problemas deste grande país meus Senhores, não é tão complicado como muitas das vezes se pensa, a solução está no QUERER, na ENTREGA e na VONTADE de resolver verdadeiramente OS PROBLEMAS DO POVO pois, todo o resto a terra está repletamente abençoada. Vamos enterrar o passado, vamos acender e fumar todos o cachimbo da PAZ pois, deste mesmo passado todos fomos culpados e, todos tivemos razão. Olhemos para frente, olhemos para o futuro e, discutamos as nossas divergências com os olhos nos olhos, conversemos como os irmãos que afinal somos, pensemos que teremos de deixar um legado positivo para as gerações vindouras e, encontraremos com certeza, o belo e rico país que todos nos sabemos estar oculto nesta bela terra que se chama ANGOLA. Que Deus vos abençoe.

    • José Inacio, não sei o que o liga a Angola, ou ligou, mas o fascínio dessa terra é comum a todos os mortais que por lá passaram. Das terras do norte e do leste até às terras do fim do mundo, e até ao atlantico, Angola tem uma saudavel relação com quem lá vive e sempre teve. As pessoas que fazem as sociedades, comungaram sempre em Angola do sentido de altruismo, amizade, compreensão, respeito pelo próximo, entreajuda, qualquer que fosse a sua origem e a sua etnia.Cabinda,Zaire,Uige,Lundas,Kuando Kubango,Kunene, ofereceram sempre o que de melhor tinham as pessoas, as suas gentes e o seu território.
      A ganância dos novos ricos e dos saqueadores adulteraram por completo estes valores que eram uma mola firme de todo o Povo Angolano.

      • Caro Artur Rodrigues, sou luso angolano nascido e criado em Luanda desde 19 de Outubro de 1957, aonde resido no bairro da Cuca (actual bairro Hoji ya Henda), obrigatoriamente ingressei as extintas FAPLAS, aonde permaneci 19 anos efectivos na FAPA-DAA (Forças Aéreas Populares de Angola – Defesa Anti Aérea) de 1976 a 1995, altura em que passei a reserva por razões de saúde. Actualmente, funciono na Sociedade Mineira de Catoca (Província da Lunda Sul), aonde exerço a função de Chefe de Secção de Desportos, Cultura e Lazer. Faço Teatro de intervenção, componho letras musicais, canto e escrevo por lobby. Nesta altura estou a escrever um drama que retrata a realidade da minha vida no contesto angolano pós Independência comparativamente ao contesto angolano antes da Independência. Gostaria de editar este livro em Portugal, razão pelo qual, estou a procura de um bom editor nas terras lusas para o efeito. Pretendo também fazer um filme cujo enredo sairá do referido livro, para o efeito necessitarei também de um bom realizador de preferência nas terras lusas. Quanto ao título do livro, este já existe porém, prefiro mantê-lo ainda no anonimato.

      • Caro José Inácio.
        Vivendo em Angola, conhece melhor que ninguém a realidade Angolana. Estive em Angola de 71 a 73 numa companhia de Engenharia Militar,a abrir estradas e construir pontes, no norte de Angola. Serviu nas Faplas, num período conturbado da realidade Angolana. Catoca, Lunda, Diamantes. Um dos problemas de Angola, quando deveria ser uma importante fonte de receita, para bem dos Angolanos, de todos os Angolanos . Pela sua polivalência e versatilidade presumo ser alguém que só quer o bem de todos e que sentiu na pele as viscissitudes do terrível período porque Angola passou e poderá ainda passar.
        Os três principais movimentos, mais tarde partidos, defraudaram as expectativas de todo o Povo, que ainda hoje é martirizado.
        Angola é auto suficiente nas suas riquezas e potencialidades, sendo dos países mais ricos do Mundo, até nas suas gentes, pela sua diversidade e sentido de estar.
        Não estou ligado às artes, apenas como complemento de formação. Tenho uma pequena serração de madeiras e uma pequena fábrica de papel reciclado. Pensei investir em Angola, nestas áreas, na zona norte de Angola, onde estive, aproveitando caudais de rio para complementar com minihidrica, porém não se concretizou por não me serem dadas garantias de investimento.
        Relativamente às suas intenções, irei ver dentro das minhas relações da disponibilidade de algum editor poder analizar a sua escrita e um realizador adoptar o seu conteúdo. Dar-lhe-ei noticias mais tarde.
        Se necessitar o meu contacto é Email: artur.lopesrodrigues@gmail.com.
        Um abraço.
        Artur Rodrigues.

      • Caro Artur Rodrigues, muito bom dia.
        Agradeço o apoio que me vem dando de a alguns dias a esta parte. aguardarei então caso me consiga auxiliar nas minhas intenções que, lhe garanto serem benéficas as artes. Estarei em Portugal (Porto) de 05 de Fevereiro a 04 de Março do corrente ano. Caso seja possível, gostaria de o telefonar para tecermos algumas considerações e, quem sabe poderemos ate nos encontrar em Portugal.
        Quanto ao investimento em Angola relactivamente ao seu trabalho, seria uma mais valia pois, são muito poucos os investimentos do gênero. Julgo que, o contesto actual em Angola, não favorece actividades do gênero, dado ao pouco interesse de quem de direito concernente ao desenvolvimento industrial. Tenho fé que, num futuro muito breve, já se poderá falar em investimentos do gênero com maior fluidez e segurança. Inicialmente poderemos efectuar alguns contactos para que, quando se poder trabalhar nesta área com asseguramento concreto e rentabilidade efectiva, se avançar então com o seu projecto que, por sinal faz bastante falta a este país. Abraços.

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