Para uso exclusivo das forças armadas portuguesas

Deixe um comentário

bebidas

“Para uso exclusivo das forças armadas portuguesas”

Era este o rótulo que as garrafas de bebidas alcoólicas destinadas às tropas na guerra colonial ostentavam. A bebida preferida em Angola, era a cerveja das marcas “Cuca” e “Nocal” mas a bebida a que a tropa tinha direito nas refeições era a célebre “água de Lisboa” um vinho carrascão, certamente feito por um conhecido empresário deste sector, que no leito da morte chamou os filhos para lhes dizer: “Vou contar-vos um segredo. Olhai que das uvas também se faz vinho!” Às refeições sempre gostei mais de vinho, mas não era deste que bebia, porque a messe de sargentos comprava caixas de vinho “Dão” e eu juntamente com o furriel Maia, natural da Bairrada, sempre “investimos” muito neste produto.

Os frigoríficos trabalhavam a petróleo e não davam vazão suficiente à procura de cerveja,  e assim poucas vezes a cerveja estava fria o suficiente para matar a sede ao pessoal, e então quando chegava uma coluna  era “um ver se te avias”, a correr para o bar. Quem chegasse atrasado já só bebia cerveja morna.

À noite, depois do jantar, recorria-se também ao whisky com 2 pedrinhas de gelo, que servia de “calmante” para dormir. Os oficiais e sargentos tinham direito a comprar em cada mês duas garrafas de whisky novo e uma de velho, e quem guardava e distribuía estes produtos era o furriel de transmissões Valdez. Muitas vezes, no dizer do responsável, o whisky não chegava para todos, e então havia reclamações na distribuição de cada mês. O Monks e o Old Parr eram os mais disputados dos velhos onde estava também o Dimple, e que custavam 110/120 escudos. Os novos custavam 50/60 escudos e os mais frequentes eram o Johnnie Walker (red label e black label). Havia também outras bebidas como o Gin Gordon, o vodka Moskovskaya, e alguns licores.

Dois meses antes de terminar a comissão começava-se a preparar o caixote de madeira, (o meu foi confeccionado na serração da Mamarrosa), para transportar para a Metrópole os “recuerdos”, tais como tapetes, artesanato de madeira e também algumas garrafas. O meu caixote era pequeno, mas ainda  assim trazia uma vintena de garrafas, entre as quais as três da foto que ainda guardo na minha garrafeira.

Mário Mendes

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s