O Inimigo invisível

1 Comentário

O Inimigo invisível

caminhadaPelo menos uma vez por mês, a cada GC (Grupo de Combate) era-lhe incumbida a missão de ir patrulhar uma determinada zona, para detectar infiltração de “turras”. O grupo era transportado para um determinado local e a missão era percorrer alguns quilómetros à procura de vestígio do inimigo, e por vezes essa missão englobava também a pernoita no local escolhendo-se para o efeito o cimo de um morro. De dia, raramente se enxergava o inimigo, mas ao cair da noite era certo que ele atacava ferozmente,  sedento de sangue…

Este inimigo invisível a que me refiro era os malvados mosquitos que nos atacavam impiedosamente. Ou se besuntavam as mãos e a cara com um fedorento repelente, que dava algum resultado no início, e os afugentava para outro camarada, ou passava-se a noite à estalada no próprio rosto, qual masoquista.

Dirão alguns, mas porque não tapavam as mãos e a cara? Essa táctica não resultava porque os danados perfuravam a própria roupa. É verdade, até dizíamos que os “gajos” traziam a caixa das brocas, e consoante a grossura da roupa metiam a broca mais conveniente. Depois o calor africano também não dava para estar muito tapado, não havia maneira de fugir a este inimigo implacável.

barraca

Houve algumas vezes que para fugir a esta flagelação, propúnhamos ao comando que em vez de sermos recolhidos no transporte da manhã do dia seguinte, faríamos ao princípio da noite outro patrulhamento a pé até ao aquartelamento, o que por vezes era concedido, só para não dormirmos com este “inimigo”. Esta troca (por vezes com cerca de 10 Km de marcha) valia bem a pena!

(Mário Mendes)

One thought on “O Inimigo invisível

  1. Lembro-me que o meu primeiro contacto com os mosquitos foi na primeira noite angolana, em pleno Grafanil, quando fomos atacados por um batalhão deles, munidos de toda a espécie de lanças.

    No dia seguinte toda a gente correu à procura de mosquiteiros, e mesmo assim eles furavam o tecido ficando colados na parte de dento, pois de tão gordos que estavam não conseguiam sair. Quando os matávamos rebentavam como balões cheios de sangue.

    Onde mais abundavam mais era junto aos pântanos e rios, e quando tínhamos que acampar nas imediações quase que não conseguíamos dormir.

    Caricatamente, o pior da nossa guerra foram os mosquitos, o pó, o calor abrasador, o feijão maluco, a flor do Congo, as saídas operacionais com longas caminhadas, a água estagnada, o paludismo, e outros infernos …
    JS

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s