Génesis da guerra em Angola

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Muito antes de 15 de Março de 1961, já havia sinais evidentes de que algo estaria para acontecer em Angola, mas que o governo de Salazar menosprezou grosseiramente. Desde logo a independência do Congo Belga em 30 de Junho de 1960. Lá diz o ditado: “quando vires as barbas do teu vizinho a arder, põe as tuas de molho“.

Depois, no final de 1960, os chamados acontecimentos da Baixa do Cassange, uma extensa depressão geográfica que vai da região de Malange às Lundas, com uma superfície de cerca de 80 mil Km quadrados (quase do tamanho de Portugal Continental). Nesta região viviam os bakongos, tribo que tinha raízes comuns no Norte de Angola e no Congo, e que sofria enorme influência daquele país recém-independente, e por isso se reavivavam sentimentos de nacionalismo. Os trabalhadores indígenas eram obrigados a trabalhar  na cultura do algodão para a empresa luso-belga Cotonang, e em Novembro de 1960 começaram a fazer greves porque as suas condições de vida e de trabalho eram degradantes.

angola_1961O tenente-coronel António Lopes Pires Nunes, é autor do livro “Da Baixa do Cassange a Nambuangongo”, onde retrata com precisão a situação vivida naquela zona.

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Um excerto está neste link:  Antecedentes da Sublevação da Baixa do Cassange

Em 4 de Janeiro de 1961, a Força Aérea Portuguesa foi chamada para reprimir as manifestações na Baixa do Cassange  tendo bombardeado a região. Quantos mortos? Ninguém sabe ao certo. Há relatos que dizem que foram mil, outros 10 mil.  Esta data é assinalada na República Popular de Angola como o “Dia dos Mártires da Repressão Colonial”, sendo feriado nacional.

A 4 de Fevereiro de 1961, algumas centenas de  revolucionários assaltam a  Prisão de S. Paulo, a Casa da Reclusão Militar e a Esquadra da Polícia Móvel em Luanda. O resultado destas operações saldou-se pelo bárbaro assassinato  de 7 polícias  à catanada, e cerca de 40 revoltosos mortos. Nos dias a seguir aos funerais dos polícias, alguns civis brancos invadem os musseques (bairros de lata) e matam também centenas de negros.

No dia 15 de Março de 1961, a UPA (União dos Povos de Angola) ataca várias fazendas de colonos brancos no Norte de Angola, chacinando a golpes de catana famílias inteiras incluindo mulheres e crianças, bem como os seus trabalhadores bailundos (povo originário do Huambo). Os relatos apontam cerca de 800 mortos e uma onda enorme de deslocados que procuram refúgio na cidade de Luanda.  Só depois deste acontecimento, Salazar solta a célebre frase: “Para Angola, Depressa e em Força“.

Só a 13 de Abril de 1961 segue para Angola o 1º contingente de tropas (3 companhias = 400 homens) a bordo do navio Niassa. A 19 de Abril embarcam na TAP os 1ºs pelotões de pára-quedistas e outros que estavam em Moçambique deslocam-se para Angola. A 10 de Julho de 1961 no âmbito da “operação Viriato”, sai de Luanda o Batalhão 96, comandado pelo tenente-coronel Armando Maçanita  e depois de grandes dificuldades de progressão com estradas  obstruídas e pontes destruídas, chega a Nambuangongo, onde é hasteada a Bandeira Portuguesa em 9 de Agosto de 1961. A 16 de Setembro desse ano, é tomada a “Pedra Verde” uma zona de morros escarpados e grutas, reduto muito importante dos guerrilheiros,  e que custou vários mortos e feridos à tropa Portuguesa.

Antes do começo da guerra não havia em Angola mais de 5 mil efectivos militares, quase todos do contingente local. No final de 1961 a tropa portuguesa contava com cerca de 33 mil homens,  e em 1973 esse número ascendia já a cerca de 65 mil.

(Mário Mendes)

Este vídeo mostra o que foram aqueles dias de 1961.


2 thoughts on “Génesis da guerra em Angola

  1. gostei das informações que encontrei sobre o aspecto histórico de Angola

  2. Sao estas e outras vrdades que devem ser contado aos Angolanos.

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