O 25 de Abril

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O 25 de Abril

Já lá vão 35 anos de revolução dos cravos …

Para quem tinha acabado de regressar de África depois da prestação de serviço militar em defesa da Pátria como nos fizeram crer, aquela data representava uma certeza de que mais nenhum militar iria para a guerra, porque agora a guerra era outra, a do desenvolvimento do país que esteve “orgulhosamente só” durante décadas, e o grande objectivo era acabar com as desigualdades sociais e a pobreza que grassava, de modo a colocar o país na senda do progresso que invejávamos da Europa.

Nesse tempo vivemos um sentimento de esperança no futuro e tentámos esquecer aquele período passado em África onde deixamos sangue, suor e lágrimas, esforço que agora era desbaratado como já se previra há muito tempo.

Hoje, verificamos que estes objectivos estão bem longe de serem cumpridos, continuamos neste cantinho à beira-mar plantado, mas bem na cauda da Europa. Talvez sejam necessários mais 35 anos ou não! Outra revolução, talvez!

O agradecimento que tivemos, foi que alguns receberam louvores, condecorações e medalhas pelos feitos praticados, mas para quem tem esses “títulos” de que lhes têm servido? Eu também tenho uma certidão que comprova que “estive lá” como certamente todos os outros. Ao menos este documento poderia servir-me para ter desconto na compra do bacalhau, sim que o “bacalhau a pataco” era de outro tempo, agora está pela hora da morte…

Mas não, serviu-me apenas para a contagem de tempo, que tive de pagar com língua de palmo (desde Abril de 1988 paguei em prestações de 60 meses, 64.375$00). Portanto nada nos foi dado, nenhum governo se lembrou de nós, e quando se começou a falar de stress pós-traumático ainda julguei que  possibilitassem aos ex-combatentes a reforma aos 55 anos (tem lógica, porque 2 anos em teatro de guerra equivalem a 10 anos em situação normal, assim o dizem os entendidos).

O que recebi até hoje foi uma “esmola” de 150€, nada de confusões,  é anual,  benefício previsto na Lei nº 3/2009, de 13 de Janeiro, mas atenção que esta só é atribuída quando o ex-combatente já estiver reformado/aposentado, como é o meu caso. Não deixei de trabalhar  por gosto, porque fui penalizado em dois anos (9%), mas como a única coisa que  o governo se entreteve a fazer na primeira metade da legislatura foi produzir uma diarreia de decretos a “malhar” no funcionalismo público, não tive outro remédio, sim porque as costas já sofrem o suficiente, e não precisam de mais “malhação”.

Ora, aqui está o meu certificado de presença na guerra. Também nunca me serviu para nada, nem para ser promovido, mas agora com as “Novas Oportunidades” talvez tenha o seu valor. Afinal um curso  intensivo de 2 anos que valem 4, é uma licenciatura!

(Mário Mendes)

curso

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