Ilha do Cabo

Esta ilha, também conhecida por ilha de Luanda ou simplesmente ilha para os luandenses, é um língua de terra com 7 km de comprimento situada mesmo em frente à baía da cidade, sendo um local idílico para quem a visita, tanto para os turistas como para os habitantes da cidade que ali encontram um local privilegiado para descanso ou lazer.


Durante o tempo em que a CCaç.3413 esteve em Luanda, este local paradisíaco foi também desfrutado por nós e com certeza que muitos dirão que já foram felizes ali. Eu gostava imenso de ir para lá, para a praia e para os bares onde nas esplanadas voltadas para o oceano se degustavam bons mariscos e frescas cervejas.

Para recordar esse tempo eis 3 fotos do ano de 1972.


Furriéis Maia e Mendes, no restaurante S.Jorge, em Abril de 1972 (Ilha de Luanda)


A trabalhar para o bronze, na ilha de Luanda, em 1972.


A única estrada da ilha de Luanda, em 1972


A ilha e parte da cidade vistas por satélite. Muito diferente de como era na década de 70. Desde logo com uma população muito maior e construções amontoadas e sem qualquer ordenamento, principalmente na orla que dá para a baía.

No entanto há também cafés, restaurantes e hotéis de luxo, onde uma refeição pode custar mais de 50 dólares. Os restaurantes têm agora um nome mais “in” como Miami Beach, Coconuts, Café del Mar, Chillout, Caribe, onde uma clientela rica e poderosa se diverte enquanto os mais pobres lutam pela sobrevivência.

Até a estrada que liga a ilha de uma ponta à outra tem agora outro nome, Murtala Mohamed, não sei se este nome se refere ao ex-chefe de Estado da Nigéria, ou de um qualquer nome árabe, desculpem a minha ignorância, mas deve ser pessoa ilustre para merecer o nome numa das avenidas mais importantes de Luanda. Se alguém souber o que ele fez pela Ilha, por Luanda ou por Angola, faça o favor de me elucidar.

O Paulo Dias de Novais, que chegou a 11 de Fevereiro de 1575 à ilha e se mudou para a parte continental em 25 de Janeiro de 1576, edificando os alicerces da cidade de Luanda, sendo por isso o seu fundador, tinha por direito próprio o seu nome associado à marginal, que depois da independência foi rebaptizada “4 de Fevereiro”.

Os angolanos estão no seu direito de chamarem os nomes que quiserem ao seu território, mas será que não havia em Luanda uma simples rua ou beco onde coubesse o nome de Paulo Dias de Novais, o neto do grande navegador português Bartolomeu Dias, fundador da grande cidade que é hoje Luanda, a terceira maior do mundo lusófono, depois de São Paulo e Rio de Janeiro?

Os ventos da revolução ainda sofram forte por aquelas paragens, mas é preciso bom senso para não confundir as coisas …

Mário Mendes

Luanda, de ontem e de hoje

A bela cidade de Luanda que conhecemos em 1971/72/73, está hoje completamente transformada. Basta olhar para esta imagem de satélite, onde podemos ver o Grafanil, distante cerca de 7 km do centro de Luanda, e que agora está rodeado por musseques.

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A cidade passou de 400 mil habitantes para 4 milhões, ¼ da população total de Angola, que também passou de 6 para 16 milhões.

O trânsito é caótico, uma viagem de Viana para Luanda, com cerca de 20 Km pode demorar mais de 2 horas. Esta foto mostra a Avenida dos Combatentes.

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E que dizer da bela ilha de Luanda?  Esta imagem vale mais que mil palavras!

ilha_luanda

Talvez, por tudo isto, o presidente angolano queira fazer uma nova Luanda, conforme noticiava em  2007 o Diário de Notícias:

Norte de Luanda espera pela nova capital angolana

Opção preferida fica entre Cacuaco e a Barra do Dande

As autoridades angolanas estão apostadas na construção de uma nova capital para o país. Para já, o projecto não passa disso mesmo, mas Oscar Niemeyer, o arquitecto brasileiro que projectou os edifícios mais emblemáticos de Brasília, já confirmou ter sido sondado pelo Presidente José Eduardo dos Santos para esse efeito.

Numa entrevista ao jornal britânico The Guardian, Niemeyer, que em Dezembro fará 100 anos, explica, entusiasmado, que já só está espera que Angola lhe diga o que pretende para passar à acção. “O Presidente angolano convidou-me para projectar a nova capital do seu país, que deverá ser quatro vezes maior que Brasília.”

Já a sua mulher, Vera Niemeyer, mostra-se mais prudente, como as suas declarações à Lusa evidenciaram na terça-feira. “Ele foi sondado há cerca de um mês. Em princípio, está interessado, mas aguardamos que esse convite seja oficializado.”

Só que em Luanda ninguém parece estar muito à vontade para falar deste projecto. Pelo menos, a título oficial, tendo em conta que a sondagem a Niemeyer foi feita pelo próprio José Eduardo dos Santos, razão pelo qual o DN foi remetido dos assessores do Presidente para o Governo provincial de Luanda ou para o Gabinete de Reconstrução Nacional, dirigido pelo general Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, que chefia também a Casa Militar presidencial. Sendo certo que este projecto que, segundo Niemeyer, envolve a construção de uma cidade para dois milhões de pessoas, pode levar muitos anos a concretizar. “Se o paralelo fosse Brasília, seriam 16 anos.”

À margem dos contactos oficiais, o DN apurou, no entanto, que o projecto da nova capital angolana está planeado para o norte de Luanda, numa região que vai do município de Cacuaco à Barra do Dande (ver mapa).

“É a melhor opção”, confirmou ao DN uma fonte do Governo angolano, aludindo às condições climatéricas e geográficas que favorecem essa localização. Em detrimento da zona Sul, para onde Luanda tem vindo a expandir-se nos últimos anos, através da construção de vários condomínios.

Ao ponto de muitos angolanos, e não só, aludirem já à Luanda II que estaria a ser edificada nas imediações do Futungo, onde José Eduardo dos Santos vivia até há dois anos, altura em que se mudou para o palácio do antigo governador-geral colonial.

“Ao contrário da região Norte, onde até nem há muitas pessoas a viver, a zona a sul de Luanda é mais inóspita e árida, duas limitações que só se alteram depois da Barra do Kwanza.”

Talvez, por isso, o Conselho de Ministro de Angola tenha decidido, entretanto, atribuir a designação de “reserva do Estado” a três blocos de terrenos situados a Norte de Luanda e que, em conjunto, totalizam 187 quilómetros quadrados, como o Semanário Angolense revelou no final de Maio.

Mas nem todos os terrenos abrangidos se destinam à futura capital. Dois dos três blocos envolvem outros projectos no município de Cacuaco.

De reserva para a futura capital estão apenas 77 quilómetros quadrados – Lisboa, por exemplo, ocupa uma área de 84,8 quilómetros quadrados – na região do Dande, admitindo-se que a nova cidade pudesse vir a incluir igualmente a construção de um novo porto que possa substituir ou ampliar as infra-estruturas já existentes em Luanda, e que estão a ser objecto de requalificação.

Mas, como explicou outra fonte angolana ao DN, o planeamento da nova capital de Angola ainda não chegou à fase de projecto. Mesmo que José Eduardo dos Santos já tenha sondado Oscar Niemeyer, rejeitando, ao que tudo indica, um outro projecto que lhe tinha sido anteriormente apresentado por Troufa Real: o da construção de Angólia.

É assim, a bela cidade que no tempo do colonialismo, rivalizava com a capital de Portugal, está hoje num estado tal que é difícil reverter a situação.

É certo que estão em curso grandes projectos de investimento em Angola, financiados pela enorme riqueza dos seus recursos naturais (petróleo e diamantes), mas também é um facto que em alguns índices sócio-económicos, este país está na cauda do mundo. A esperança média de vida é de apenas 42,7 anos, também devido ao facto de a mortalidade infantil ser muito alta, de 132 por cada 1000 nascimentos. A alfabetização cifra-se em 67,4%.

Depois de 13 anos de guerra colonial, e mais 28 de guerra civil que terminou em 2002, o que o povo angolano espera  e deseja, é que agora as suas condições de vida sejam substancialmente melhoradas.


Mário Mendes