Angola é 2,37 vezes maior que a França, o maior país da comunidade europeia, o que atesta bem da grandeza do seu território.
No mapa que se segue podemos verificar que três províncias (Lunda Norte, Moxico e Kuando Kubango) são muito maiores que Portugal continental, as últimas duas, mais do dobro, e outras duas (Malanje e Cunene) quase do tamanho de Portugal. A província de Luanda abrange somente a capital, ao contrário da época colonial que abrangia também a agora província do Bengo. Justificou-se esta decisão, dada a enorme população de Luanda, quase 1/4 da população total do país.
A densidade populacional é das mais baixas de África, pois tem cerca de 15 milhões de habitantes, segundo estudos de 2005, revelados no portal de Angola. Não se realizam censos em Angola desde 1970 e de acordo com estudos actuais, a população hoje em dia, deve passar os 16 milhões, 4 milhões dos quais a residir na grande metrópole em que se transformou a cidade de Luanda.
| Província | Área (Km2) | População | Capital |
| Cabinda | 7.270 | 170.000 | Cabinda |
| Zaire | 40.130 | 60.000 | M´Banza Congo |
| Uíge | 58.698 | 500.000 | Uíge |
| Bengo | 41.000 | 500.000 | Caxito |
| Kwanza Norte | 24.110 | 420.000 | N´Dalatando |
| Malanje | 87.102 | 700.000 | Malanje |
| Lunda Norte | 103.000 | 270.000 | Dundo |
| Lunda Sul | 77.637 | 130.000 | Saurimo |
| Luanda | 2.257 | 4.000.000 | Luanda |
| Kwanza Sul | 55.660 | 610.000 | Sumbe |
| Benguela | 39.827 | 750.000 | Benguela |
| Huambo | 34.270 | 1.200.000 | Huambo |
| Bié | 70.314 | 2.000.000 | Kuito |
| Moxico | 223.023 | 240.000 | Luena |
| Huíla | 78.879 | 2.600.000 | Lubango |
| Namibe | 58.137 | 85.000 | Namibe |
| Cunene | 87.342 | 250.000 | Ondjiva |
| Kuando Kubango | 199.049 | 150.000 | Menongue |
| 1.287.705 | 14.635.000 |
Designações na época colonial: S.Salvador do Congo(M´Banza Congo), Carmona(Uíge), Salazar(N´Dalatando), Portugália(Dundo), Henrique de Carvalho(Saurimo), Novo Redondo(Sumbe), Nova Lisboa(Huambo), Silva Porto(Kuito), Luso(Luena), Sá da Bandeira(Lubango), Moçâmedes(Namibe), Pereira d,Eça(Ondjiva), Serpa Pinto(Menongue).
Assim sendo, Angola tem todas as condições para ser um dos países mais prósperos do mundo dados os seus enormes recursos naturais e por isso muitos países estão de “olho” em Angola. Há dias no programa “Sociedade das Nações” da SIC, era entrevistado o embaixador americano em Angola e ele não escondeu os dois motivos principais que levam os EUA a estar presente em Angola, mesmo tendo em conta que no período da guerra civil estivessem ao lado da UNITA e da FNLA. Em primeiro lugar, os 2 milhões de barris de crude por dia, que são extraídos e que torna o país num grande produtor mundial. Em segundo lugar, a capacidade agrícola, pois Angola tem cerca de 35 milhões de hectares de terrenos aráveis e só uma pequena parte está aproveitada. Pode ser o celeiro de África e essa possibilidade é muito importante no contexto mundial.
Muito há a fazer neste país, que foi assolado por uma guerra civil que durou 27 longos anos, desde logo a consolidação da democracia, com eleições justas e transparentes, onde os direitos humanos sejam respeitados e a corrupção não seja entrave ao desenvolvimento.
Efectivamente em Angola a democracia existe, mas como sabemos a democracia em África não é de modo algum a que existe nos países ocidentais mais desenvolvidos, pelo que se costuma dizer que é uma “democracia à moda africana.” O presidente da República ocupa o lugar há 31 anos, sem nunca ter sido eleito. Com a nova Constituição aprovada este ano a eleição do presidente não se faz por sufrágio directo e universal, sairá das eleições legislativas que estão previstas para 2012. O mandato terá a duração de 5 anos e o limite são 2 mandatos, pelo que o actual presidente pode estar no poder, agora reforçado pois também acumulará as funções de chefe do executivo e comandante-em-chefe das forças armadas, até 2022, o que totalizará 43 anos.
É que o partido no poder (MPLA) teve mais de 80% nas últimas eleições, está agarrado ao poder como “mexilhão” na rocha, e se alguma vez, o povo angolano escolher outra via (a oposição já teve mais de 40% dos votos nas eleições de 1992), como se irão comportar estes senhores na oposição? E as forças armadas, que em Angola têm uma grande influência, um exército enorme de 100 mil, sujeitar-se-ão ao poder político?
O que é certo é que todo o potencial de Angola, ainda não tirou da pobreza a grande maioria do seu povo, a riqueza está nas mãos de uma elite privilegiada. E o povo pode não estar disposto a esperar uma eternidade. Em Moçambique, do outro lado da costa, o povo já começou a “falar” …
Mário Mendes

Gostaria de contactar com ex-camaradas que estavam comigo na
Ussenga (Úcua) quando se deu o 25 de Abril.Cabo Nunes.(arrecadação)